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Teoria das Relações Humanas: Material de Estudo

Guia completo da Teoria das Relações Humanas: Experiência de Hawthorne, Elton Mayo, liderança, motivação e 10 armadilhas de prova. Atualizado 2026.

1. O que é a Teoria das Relações Humanas?

A Teoria das Relações Humanas surgiu nos EUA na década de 1930 como reação à Escola Clássica (Taylor e Fayol). Seu principal expoente foi Elton Mayo. A teoria deslocou o foco da tarefa e da estrutura para as pessoas e os grupos, destacando relações sociais, motivação, liderança e satisfação no trabalho.

📌 Obra de referência: “The Human Problems of an Industrial Civilization” (1933) — Elton Mayo. Originada nos resultados da Experiência de Hawthorne (1927–1932), na Western Electric Company, Chicago.
ItemDado
PeríodoA partir de 1927 — consolidada nos anos 1930
Principal autorElton Mayo (1880–1949)
Origem🇺🇸 Estados Unidos
Reação aEscola Clássica — mecanicismo e desumanização
FocoPessoas, grupos informais, motivação e liderança
Visão do trabalhadorHomo Socialis — motivado por necessidades sociais

2. Contexto Histórico e Origem

A teoria emergiu em um cenário de transformações profundas:

  • Crise de 1929: a Grande Depressão gerou desemprego e questionamentos sobre o modelo industrial vigente.
  • Insatisfação dos trabalhadores: o taylorismo tratava o trabalhador como peça de máquina — surgiram greves e queda de produtividade.
  • Influência da Psicologia e Sociologia: ciências humanas começaram a ser aplicadas ao trabalho.
  • Movimento sindical: pressão por melhores condições e reconhecimento.
💡 A Teoria das Relações Humanas não surgiu para substituir a Escola Clássica — surgiu como reação e complemento, destacando o que a visão clássica ignorava: o ser humano como ser social.

3. A Experiência de Hawthorne

Realizada entre 1927 e 1932 na Western Electric Company em Hawthorne (Chicago), coordenada por Elton Mayo e pesquisadores de Harvard.

1ª FASE — 1924 a 1927
Experimentos de Iluminação

Variaram a intensidade da iluminação para verificar efeito na produtividade. Resultado: a produtividade aumentava independentemente da iluminação — indicando que fatores psicológicos e sociais eram mais relevantes.

2ª FASE — 1927 a 1929
Sala de Montagem de Relés

Seis operárias foram submetidas a variações nas condições de trabalho. A produtividade continuou crescendo em todas as condições. Conclusão: o fator determinante era o sentimento de ser observado e valorizadoEfeito Hawthorne.

Efeito Hawthorne: as pessoas modificam seu comportamento quando sabem que estão sendo observadas.

3ª FASE — 1928 a 1931
Programa de Entrevistas

Mais de 21.000 entrevistas com trabalhadores. Descoberta: havia uma complexa rede de relações sociais e sentimentos afetando o desempenho. Identificou-se a existência de grupos informais com líderes próprios.

4ª FASE — 1931 a 1932
Sala de Montagem de Terminais

O grupo estabelecia por conta própria uma produção padrão informal — nem muito alta (para não prejudicar colegas) nem muito baixa (para não atrair supervisão). Quem desviava era punido socialmente pelo grupo.

Confirmação da força dos grupos informais dentro das organizações.

Efeito Hawthorne é um dos conceitos mais cobrados em prova: as pessoas modificam seu comportamento quando sabem que estão sendo observadas — independentemente da variável manipulada pelo pesquisador.

4. Conclusões de Mayo e o Homo Socialis

ConclusãoO que significa
O trabalho é uma atividade grupalO comportamento é moldado pelo grupo ao qual o trabalhador pertence.
Necessidades sociais motivam mais que as econômicasReconhecimento e pertencimento são motivadores mais poderosos que o salário.
A organização informal existe e é poderosaRede de relações espontâneas influencia comportamentos e produtividade.
Supervisão participativa aumenta a produtividadeTrabalhadores tratados de forma humanizada rendem mais.
Efeito HawthorneO simples ato de ser estudado já altera os resultados.
ConceitoEscola ClássicaRelações Humanas
Visão do trabalhadorHomo Economicus — motivado por dinheiroHomo Socialis — motivado por necessidades sociais
O que motivaRecompensas materiaisRelacionamentos, aprovação social, pertencimento
Visão da organizaçãoMáquina — estrutura formal e rígidaSistema social — relações humanas e grupos informais

5. Grupos Informais e Organização Informal

AspectoOrganização FormalOrganização Informal
OrigemPlanejada e deliberada pela AdministraçãoEspontânea — surge das relações entre pessoas
LiderançaDesignada (chefe)Emergente — surge naturalmente do grupo
ComunicaçãoCanais formais (relatórios, memorandos)Rumores e conversas informais (“rádio corredor”)
NormasRegulamentos escritosPadrões de comportamento do grupo
ObjetivoObjetivos da organizaçãoObjetivos e interesses do grupo

6. Liderança e Comunicação

Kurt Lewin identificou três estilos clássicos de liderança, muito cobrados em provas:

ESTILO 1
Liderança Autocrática

O líder toma todas as decisões sozinho. Alta produtividade com o líder presente, mas gera tensão e frustração. Produção cessa quando o líder se ausenta.

ESTILO 2
Liderança Liberal (Laissez-faire)

O líder deixa o grupo completamente livre. Gera baixa produtividade, individualismo e desorganização.

ESTILO 3
Liderança Democrática

O líder consulta o grupo e estimula a participação. Gera boa produtividade, satisfação e comprometimento. Produção mantém-se mesmo na ausência do líder.

💡 Autocrática = alta produção com tensão. Liberal = baixa produção com individualismo. Democrática = boa produção com satisfação.

7. Motivação e Satisfação no Trabalho

TeoriaAutorIdeia Central
Hierarquia das NecessidadesAbraham MaslowPirâmide de necessidades: fisiológicas → segurança → sociais → estima → autorrealização. As inferiores devem ser satisfeitas antes das superiores.
Teoria X e Teoria YDouglas McGregorTeoria X: homem é preguiçoso e precisa ser controlado. Teoria Y: homem busca responsabilidade e é capaz de se autodisciplinar.
Teoria dos Dois FatoresFrederick HerzbergFatores higiênicos (salário, condições) evitam insatisfação mas não motivam. Fatores motivacionais (realização, reconhecimento) geram satisfação.
Necessidades AdquiridasDavid McClellandTrês necessidades dominantes: realização, poder e afiliação.
📌 Maslow × Herzberg: Necessidades fisiológicas e de segurança (Maslow) = fatores higiênicos (Herzberg). Necessidades sociais, estima e autorrealização (Maslow) = fatores motivacionais (Herzberg).

8. Escola Clássica × Relações Humanas

AspectoEscola ClássicaRelações Humanas
FocoTarefa e estruturaPessoas e grupos
TrabalhadorHomo EconomicusHomo Socialis
OrganizaçãoFormal e rígidaInformal e relacional
MotivaçãoSalário e incentivos financeirosReconhecimento e pertencimento
LiderançaAutoridade formalInfluência e aceitação
SistemaFechadoFechado
Ambas são sistemas fechados — não consideram o ambiente externo. Essa limitação só foi superada pelas teorias sistêmicas e contingenciais.

9. Críticas e Limitações

CríticaDescrição
Visão ingênua e românticaSupôs que trabalhador feliz é sempre mais produtivo — relação satisfação-produtividade é mais complexa.
Limitação ao ambiente de fábricaConclusões baseadas num único contexto e generalizadas de forma excessiva.
ParcialidadeIgnorou fatores econômicos, sindicais e de poder que também influenciam o comportamento.
Sistema fechadoIgnorou o ambiente externo como variável relevante.
Possível manipulaçãoPode ser usada para fazer o trabalhador “feliz” sem melhorar salários ou condições reais.
✓ Apesar das críticas, foi fundamental para humanizar a administração e abrir caminho para o estudo do comportamento organizacional, liderança, motivação e clima organizacional.

10. Escola Neoclássica e Comportamental

Teoria Neoclássica — Anos 1950

A Teoria Neoclássica surgiu como uma atualização pragmática da Escola Clássica, incorporando contribuições das Relações Humanas. Seus principais autores são Peter Drucker, Harold Koontz e Cyril O’Donnell.

CaracterísticaDescrição
Ênfase na práticaFoco nos resultados e na eficiência prática — “administrar é obter resultados”.
Reafirmação dos princípios clássicosRetoma os princípios de Fayol (planejamento, organização, direção e controle — PODC) com visão atualizada.
EcléticaAbsorve contribuições de diversas teorias — não é dogmática.
Ênfase nos objetivosOrigem da Administração por Objetivos (APO) — Peter Drucker (1954).
Tipos de organizaçãoDistingue organização linear, funcional e linha-staff.
Centralização × DescentralizaçãoAnalisa vantagens e desvantagens de cada abordagem — sem receita universal.
💡 APO — Administração por Objetivos (Peter Drucker, 1954): Sistema em que superiores e subordinados definem conjuntamente os objetivos a alcançar, os meios para atingi-los e os critérios de avaliação. Ciclo: definição de objetivos → plano de ação → avaliação de resultados → revisão.

Teoria Comportamental (Behaviorista) — Anos 1950–60

A Teoria Comportamental aprofundou os estudos sobre o comportamento humano nas organizações, com base na Psicologia. Principais autores: Herbert Simon, Abraham Maslow, Douglas McGregor e Frederick Herzberg.

AutorContribuição Principal
Herbert SimonTeoria das Decisões — o homem administrativo toma decisões satisfatórias (não ótimas), pois tem racionalidade limitada. Criou o conceito de racionalidade limitada.
Abraham MaslowHierarquia das Necessidades — pirâmide com 5 níveis (fisiológicas, segurança, sociais, estima, autorrealização).
Douglas McGregorTeoria X (visão pessimista do trabalhador) e Teoria Y (visão otimista — base para gestão participativa).
Frederick HerzbergTeoria dos Dois Fatores — higiênicos (evitam insatisfação) e motivacionais (geram satisfação).
Chris ArgyrisImaturidade × Maturidade — as organizações tradicionais impedem o desenvolvimento da maturidade dos trabalhadores.
📌 Racionalidade Limitada (Herbert Simon): O tomador de decisões não tem acesso a todas as informações, não consegue prever todas as consequências e não otimiza — apenas “satisfaz”. Por isso, toma decisões “boas o suficiente”, não as melhores possíveis.

11. Escola Estruturalista e Teoria da Burocracia

Teoria da Burocracia — Max Weber

A Teoria da Burocracia foi desenvolvida pelo sociólogo alemão Max Weber e introduzida na Administração na década de 1940. Propõe um modelo ideal de organização baseado em regras, racionalidade e impessoalidade.

Característica da BurocraciaDescrição
FormalidadeTodas as regras, normas e procedimentos são formalizados por escrito.
ImpessoalidadeAs relações são regidas por regras — não por sentimentos ou preferências pessoais.
ProfissionalismoCargos são ocupados por especialistas com base em competência técnica.
Hierarquia de autoridadeEstrutura de poder claramente definida — cada cargo responde ao superior imediato.
Competência técnicaSeleção e promoção baseadas em mérito — não em nepotismo ou favoritismo.
Separação entre patrimônio público e privadoO funcionário não é dono dos meios de produção — há clara distinção entre o que é do cargo e o que é pessoal.
PrevisibilidadeO comportamento é previsível porque regulado por normas — reduz a arbitrariedade.

Tipos de Dominação (Weber)

TipoBase da autoridadeExemplo
TradicionalCostume, tradição e herança — “sempre foi assim”Monarquias hereditárias, patriarcalismo
CarismáticaQualidades pessoais extraordinárias do líderLíderes religiosos, políticos populistas
Racional-Legal (Burocrática)Normas e regras impessoais — base da administração modernaEstado moderno, empresas formalizadas

Disfunções da Burocracia (Robert Merton)

Robert Merton identificou as chamadas disfunções burocráticas — efeitos negativos não previstos por Weber:

  • Apego excessivo às regras: os meios (regras) tornam-se fins em si mesmos.
  • Excesso de formalismo e papelório: a documentação excessiva retarda as decisões.
  • Resistência às mudanças: a burocracia tende à conservação do status quo.
  • Despersonalização: o funcionário perde a identidade — é apenas um número.
  • Categorização como base do processo decisório: decide-se pela categoria, não pelo caso concreto.
  • Exibição de sinais de autoridade: supervalorização dos símbolos de status.
  • Dificuldade com clientes: o atendimento ao público torna-se rígido e insatisfatório.

Escola Estruturalista

A Escola Estruturalista ampliou a visão da Burocracia, analisando as organizações como sistemas abertos em interação com o ambiente. Principais autores: Amitai Etzioni e Peter Blau.

  • Analisa tanto a organização formal quanto a informal.
  • Considera os conflitos organizacionais como inevitáveis e até necessários.
  • Estuda as relações entre a organização e o ambiente externo — passo em direção à Teoria dos Sistemas.
  • Etzioni classifica as organizações por tipo de poder: coercitivas (prisões), normativas (igrejas, universidades) e utilitárias (empresas).
Burocracia ≠ Ineficiência (para Weber). Para Weber, a burocracia era o modelo mais racional e eficiente de organização. O sentido pejorativo de “burocracia” refere-se às disfunções identificadas por Merton — não ao modelo original de Weber.

12. Teoria dos Sistemas e Teoria Contingencial

Teoria dos Sistemas — Anos 1950–60

A Teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy e aplicada à Administração por autores como Katz e Kahn, introduziu uma visão holística das organizações.

ConceitoDescrição
Sistema abertoA organização interage constantemente com o ambiente externo — recebe insumos (inputs), processa e gera produtos (outputs) e recebe retroalimentação (feedback).
SubsistemasA organização é composta de subsistemas interdependentes (produção, financeiro, RH, marketing) que formam um todo integrado.
HolismoO todo é maior do que a soma das partes — a análise isolada de cada parte não explica o comportamento do sistema.
EntropiaTendência natural dos sistemas fechados à desorganização e colapso. Sistemas abertos combatem a entropia com importação de energia do ambiente.
HomeostaseCapacidade do sistema de manter o equilíbrio interno diante de variações externas.
SinergiaO desempenho conjunto é superior à soma dos desempenhos individuais.
EquifinalidadeUm sistema pode atingir o mesmo resultado por diferentes caminhos e condições iniciais distintas.
📌 Sistema aberto × Sistema fechado: Escola Clássica e Relações Humanas = sistemas fechados (ignoram o ambiente). Teoria dos Sistemas e Contingencial = sistemas abertos (interagem com o ambiente).

Teoria Contingencial — Anos 1960–70

A Teoria Contingencial (ou Situacional) afirma que não existe uma única maneira de administrar — a melhor forma depende das circunstâncias (contingências) do ambiente e da organização. Principais autores: Lawrence e Lorsch, Burns e Stalker, Joan Woodward.

ConceitoDescrição
Não existe a melhor maneira“There is no one best way” — a estrutura e o estilo de gestão devem se adaptar às variáveis situacionais.
Variáveis contingenciaisTecnologia, tamanho da organização, ambiente externo e estratégia influenciam a melhor forma de estrutura e gestão.
Estrutura mecanicistaAdequada a ambientes estáveis — rígida, hierárquica, formalizada. Mais eficiente em situações previsíveis.
Estrutura orgânicaAdequada a ambientes dinâmicos e incertos — flexível, descentralizada, com comunicação lateral. Mais adaptável à mudança.
Diferenciação e integraçãoLawrence e Lorsch: quanto mais complexo o ambiente, maior a diferenciação interna necessária e maior o esforço de integração dos subsistemas.

Linha do Tempo das Teorias Administrativas

PeríodoTeoriaFoco Principal
1903–1916Administração Científica (Taylor) e Teoria Clássica (Fayol)Tarefa e estrutura
1927–1940Teoria das Relações Humanas (Mayo)Pessoas e grupos informais
1940–1950Teoria da Burocracia (Weber)Racionalidade, normas e impessoalidade
1950–1960Teoria Neoclássica (Drucker) e Comportamental (Simon, McGregor)Resultados, decisões e motivação
1950–1960Escola Estruturalista (Etzioni)Organização como sistema social
1960–1970Teoria dos Sistemas (Bertalanffy/Katz e Kahn)Organização como sistema aberto
1970–1980Teoria Contingencial (Lawrence e Lorsch)Não existe uma única melhor forma
Resumo da evolução: As teorias administrativas evoluíram do foco na tarefa (Taylor) → estrutura (Fayol) → pessoas (Mayo) → racionalidade (Weber/Simon) → sistema aberto (Bertalanffy) → situação (Contingencial). Cada teoria surgiu como resposta às limitações das anteriores.

Teoria das Relações Humanas e Escolas da Administração — Guia Completo para Concursos 2026

Baseado nas obras de Mayo, Maslow, McGregor, Herzberg, Weber, Drucker, Simon e Bertalanffy. Conteúdo educativo para fins de estudo.

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